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Com florada precoce safra de 2027 pode chegar mais cedo

Foto do escritor: Viveiro Fulanette e Moreno
Viveiro Fulanette e Moreno
21 de set.
3 min de leitura

Chuvas favorecem a abertura das flores em regiões produtoras de arábica, enquanto diferenças de maturação e maior pressão de doenças ampliam os cuidados com a próxima safra.


A safra brasileira de café arábica de 2027 começou a se desenhar com uma possível mudança no calendário: a colheita poderá ser antecipada em parte das lavouras. Floradas expressivas observadas em setembro, antes do período considerado habitual por técnicos de algumas regiões produtoras, abriram essa perspectiva. A confirmação, porém, dependerá das condições climáticas e do desenvolvimento dos frutos nos próximos meses.


Segundo reportagem da Reuters publicada pelo InfoMoney em 21 de setembro, especialistas que acompanham lavouras no Sudeste avaliam que parte do café dessa florada poderá estar pronta para colher em maio de 2027. Os relatos abrangem áreas da Alta Mogiana e do Sul de Minas. No Cerrado Mineiro, a Expocacer também registrou uma nova abertura expressiva de flores.


O cenário combina oportunidades e desafios. A disponibilidade de água ajuda a desencadear a floração, mas episódios sucessivos de chuva podem estimular diferentes floradas. Com isso, uma mesma lavoura pode chegar à colheita com frutos em estágios distintos de desenvolvimento, exigindo maior cuidado para preservar a qualidade.


Adriano Rabelo, coordenador técnico da Minasul, relatou à Reuters que as chuvas ao longo da colheita reduziram a presença de um período seco mais definido, condição que costuma favorecer a concentração das floradas. Sua avaliação é que a floração de setembro pode adiantar a produção em relação ao calendário normalmente observado nas áreas que acompanha.


A relação entre água e floração tem respaldo na pesquisa agronômica. Em estudo publicado na revista Bragantia, os pesquisadores Ângelo Paes de Camargo e Marcelo Bento Paes de Camargo, do Instituto Agronômico, descrevem que a chuva ou a irrigação pode desencadear a abertura de gemas florais maduras. No modelo apresentado, as flores aparecem aproximadamente oito a 15 dias após esse estímulo hídrico.


O trabalho também mostra por que a antecipação precisa ser avaliada regionalmente. Em localidades mais quentes, a florada principal já pode ocorrer no início de setembro; em áreas mais frias, tende a acontecer no fim desse mês ou no começo de outubro. Portanto, florescer em setembro, isoladamente, não caracteriza uma anormalidade para toda a cafeicultura brasileira.


Depois da floração, a continuidade de condições favoráveis será determinante. O mesmo estudo aponta que calor elevado associado a déficit hídrico intenso pode provocar abortamento de flores. Mais adiante, estiagens fortes podem comprometer a expansão dos frutos e a formação dos grãos. Uma florada abundante representa potencial produtivo, ainda sujeito a perdas durante o ciclo.


Na colheita, o principal desafio será acompanhar a maturação. Luiz Eduardo Vilela de Rezende, vice-presidente do Conselho de Administração da Cocatrel, ponderou à Reuters que a ocorrência de mais de uma florada é conhecida pelos produtores e pode ser administrada. Ainda é cedo para dimensionar a desuniformidade de 2027, mas a definição do momento de colher e a separação dos lotes ganham importância quando há frutos em diferentes estágios.


A sanidade das lavouras é outro ponto de atenção. O agrônomo Jonas Ferraresso relatou à agência maior incidência de doenças bacterianas e fúngicas neste ano em propriedades de São Paulo e Minas Gerais. A persistência da umidade pode prolongar condições favoráveis a esses problemas e exige acompanhamento técnico.


Em orientação divulgada no fim de agosto, a Expocacer já recomendava observar a evolução dos botões florais e ajustar a irrigação conforme a umidade do solo, a evapotranspiração e as características de cada área. A cooperativa também destacava a necessidade de conciliar a conclusão da colheita em andamento com os cuidados para o próximo ciclo.


A perspectiva de antecipação tampouco permite concluir que haverá aumento da produção. Na reportagem da Reuters, especialistas apontam 2027 como um ano de menor carga no ciclo bienal do arábica, após a produção elevada de 2026. O avanço do calendário poderá mudar o momento de entrada de parte do café no mercado; o volume e a qualidade dependerão da evolução das lavouras até a colheita.

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