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Terremoto na colômbia faz preço do arábica subir

  • Foto do escritor: Viveiro Fulanette e Moreno
    Viveiro Fulanette e Moreno
  • 12 de ago.
  • 3 min de leitura

Terremoto de magnitude 7,4 interrompe exportações da Colômbia, derruba a logística do país e aumenta a pressão sobre os preços do arábica no mercado mundial


As exportações de café da Colômbia foram praticamente interrompidas após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na segunda-feira.


Deslizamentos de terra, bloqueios em rodovias e danos à infraestrutura impediram a circulação de caminhões em direção ao porto de Buenaventura, principal corredor de saída do café colombiano para o mercado internacional.


Segundo Gustavo Gómez, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport), as operações estão paralisadas e ainda não há uma previsão oficial para a reabertura completa das estradas. “Pode haver algumas operações isoladas, mas, neste momento, a operação de exportação de café foi interrompida”, afirmou o executivo.


A interrupção preocupa o setor porque Buenaventura concentra mais de 60% das exportações internacionais de café da Colômbia. O porto está ligado às regiões produtoras por estradas que foram afetadas por deslizamentos e bloqueios, dificultando o transporte do café até os terminais de embarque.


O terremoto atingiu áreas próximas ao chamado Eixo Cafeeiro, formado principalmente pelos departamentos de Caldas, Risaralda e Quindío, além de Valle del Cauca, Antioquia e Chocó. Essas regiões concentram propriedades rurais, unidades de processamento e parte relevante da infraestrutura ligada à produção do café arábica.


A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia informou que equipes técnicas estão realizando levantamentos nas comunidades atingidas para avaliar os danos em propriedades, moradias, estradas e estruturas de beneficiamento. Até o momento, não existe um balanço completo dos prejuízos provocados diretamente nas lavouras.


O impacto também alcança áreas produtoras menos atingidas pelo tremor. Em departamentos como Huila, Tolima, Cauca e Nariño, a dificuldade de acesso para veículos de carga passou a complicar o transporte da produção para outros portos, como Cartagena e Santa Marta. A situação é considerada especialmente delicada porque a colheita está concentrada em regiões do sul do país, de onde grande parte do café normalmente seguiria pelo porto de Buenaventura.


Além dos bloqueios nas estradas, empresas e exportadores enfrentam cortes de energia, problemas de conectividade e dificuldades para manter as operações com trabalhadores que também foram afetados pela tragédia. A Caravela Coffee, uma das principais exportadoras de cafés especiais da região, informou que suspendeu temporariamente as atividades em uma unidade de processamento em Armenia, no departamento de Quindío, como medida de precaução.


A notícia repercutiu imediatamente no mercado futuro. O preço do café arábica subiu para a máxima de cinco semanas, em meio ao temor de que a interrupção logística reduza a oferta disponível no curto prazo. Os estoques certificados de arábica da bolsa ICE também recuaram para o menor nível em cerca de dois anos e meio, aumentando a sensibilidade dos preços a qualquer novo problema de abastecimento.


A crise colombiana ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado mundial. No Brasil, maior produtor global, a colheita de café arábica avança em ritmo mais lento do que no ano anterior em algumas regiões. Na cooperativa Cooxupé, por exemplo, 67,3% da colheita havia sido concluída até 31 de julho, contra 74,2% no mesmo período do ano passado.


Apesar da pressão imediata sobre os preços, o cenário de longo prazo continua sujeito a fatores que podem limitar ou reverter a alta. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta uma safra global recorde para a temporada 2026/27, estimada em 189,7 milhões de sacas, impulsionada principalmente pela recuperação da produção brasileira.


Para os produtores, o principal efeito da crise colombiana é o aumento da volatilidade. Se a circulação pelo porto de Buenaventura permanecer comprometida, compradores internacionais podem buscar café de outras origens, elevando a disputa pelo arábica disponível e sustentando as cotações. Por outro lado, uma rápida recuperação das estradas e dos terminais pode reduzir parte da pressão sobre os preços.


A prioridade, neste momento, continua sendo o resgate das vítimas e o atendimento às comunidades atingidas. Os danos definitivos ao setor cafeeiro ainda estão sendo calculados, e a dimensão do impacto sobre lavouras, unidades de beneficiamento e contratos de exportação deverá ficar mais clara nos próximos dias.


A Colômbia exporta aproximadamente 13 milhões de sacas de café de 60 quilos por ano. Qualquer interrupção prolongada em sua principal rota de escoamento tem potencial para afetar não apenas os produtores colombianos, mas também torrefadores, comerciantes e consumidores em diferentes partes do mundo.


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